Atualizado: 27 de set.
O Príncipe Nicolau Maquiavel
Texto Original Completo (domínio público, tradução livre)
De Nicolau Maquiavel para o Magnífico Lourenço de Médicis
Costumam, na maioria das vezes, aqueles que desejam adquirir as graças de um príncipe, ir ao seu encontro com aquelas coisas que, entre as suas, têm como mais caras, ou com aquelas nas quais veem que ele mais se deleita; donde se vê, muitas vezes, serem-lhe apresentados cavalos, armas, tecidos de ouro, pedras preciosas e ornamentos semelhantes, dignos da grandeza deles. Desejando eu, portanto, oferecer-me à Vossa Magnificência com algum testemunho da minha servidão para com ela, não encontrei entre os meus pertences coisa que eu tenha como mais cara, ou que tanto estime, quanto o conhecimento das ações dos grandes homens, aprendido por mim com uma longa experiência das coisas modernas e uma contínua lição das antigas; as quais, tendo eu com grande diligência longamente ponderado e examinado, e agora reduzido a um pequeno volume, envio à Vossa Magnificência.
E, embora eu julgue esta obra indigna da sua presença, confio, não obstante, que por sua humanidade ela deva ser aceita, considerando que de minha parte não lhe possa ser feito maior dom do que lhe dar a faculdade de poder, em curtíssimo tempo, compreender tudo aquilo que eu, em tantos anos e com tantos incômodos e perigos meus, conheci. A qual obra eu não ornei nem enchi de cláusulas amplas, ou de palavras empoladas e magníficas, ou de qualquer outro lenocínio ou ornamento extrínseco com os quais muitos costumam descrever e ornar as suas coisas; porque eu quis ou que nenhuma coisa a honre, ou que somente a variedade da matéria e a gravidade do assunto a tornem grata.
Nem quero que seja reputada presunção se um homem de baixo e ínfimo estado ousa discorrer e regular os governos dos príncipes; porque, assim como aqueles que desenham as paisagens se colocam baixos na planície para considerar a natureza dos montes e dos lugares altos, e, para considerar a dos baixos, colocam-se no alto sobre os montes, semelhantemente, para conhecer bem a natureza dos povos, é preciso ser príncipe, e, para conhecer bem a dos príncipes, é preciso ser do povo.
Receba, pois, Vossa Magnificência este pequeno dom com o mesmo ânimo com que o envio; o qual, se por vós for diligentemente considerado e lido, nele reconhecereis um extremo desejo meu de que alcanceis aquela grandeza que a sorte e as vossas outras qualidades vos prometem. E se Vossa Magnificência, do ápice da sua altura, alguma vez voltar os olhos para estes lugares baixos, reconhecerá o quanto eu, indignamente, suporto uma grande e contínua malignidade da sorte.
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MAQUIAVEL, Nicolau. O Príncipe - De Nicolau Maquiavel para o Magnífico Lourenço de Médicis. Tradução livre pelo Resumo Por Capítulo. Disponível em: <https://www.resumoporcapitulo.com.br/o-príncipe-texto-original-completo-de-nicolau-maquiavel-para-o-magnífico-lourenço-de-médicis>. Acesso em: dd mmm. aaaa.
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