7 - Dos novos principados conquistados pelas armas de outrem e pela fortuna
Quando um homem é elevado a príncipe por uma condição do acaso, pela concessão do principado por um superior ou pela substituição de um líder morto ou deposto, pode se prever grandes obstáculos em sua manutenção: como tudo o que nasce e cresce em pouco tempo, seu governo não terá raízes sólidas para suportar eventuais tormentas.
Há, entretanto, casos em que o príncipe consegue valer-se de sua virtude para manter o Estado adquirido pela fortuna. César Bórgia, o Duque Valentino, por exemplo, recebeu de seu pai, o Papa Alexandre VI, o poder do Estado, conquistado com o auxílio de armas francesas.
Percebendo sua instabilidade ao depender da vontade de outros, o Duque usou de sua astúcia para estabelecer sua própria ordem: conquistava a simpatia de possíveis opositores, mas não hesitava em assassiná-los quando se sentia ameaçado; elegia administradores para suas províncias e também os assassinava caso julgasse conveniente.
Sua derrocada, porém, deu-se novamente pela fortuna: a morte de seu pai, a ascensão de um Papa contrário a seus interesses e uma grave doença (possivelmente resultado de envenenamento) impediram a conclusão de seus planos de dominação da região. Ainda assim o autor o considera virtuoso por sua habilidade em manter sob controle, enquanto a fortuna permitiu, um Estado que lhe foi dado.