- 27 de dez. de 2025
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Resumo Geral
A narrativa de O Cortiço inicia-se com a trajetória de João Romão, um imigrante português dotado de uma ambição desmedida que, após herdar uma venda em Botafogo, dedica-se ao trabalho exaustivo e a economias extremas para enriquecer. Ele estabelece uma relação com Bertoleza, uma escrava que buscava sua alforria; João Romão forja uma falsa carta de liberdade para a negra, tornando-se seu "caixa, procurador e conselheiro" e utilizando as economias dela para comprar terrenos e materiais de construção, muitas vezes furtados da vizinhança. A partir dessas pequenas casinhas, ele ergue uma estalagem que se torna o centro de um império habitado por trabalhadores e lavadeiras, onde a vida se multiplica de forma animalesca e coletiva.
A ascensão de João Romão desperta a inveja de seu vizinho, Miranda, um negociante português que vive em um sobrado e mantém um casamento de conveniência com Dona Estela. Enquanto Romão foca no acúmulo material bruto, Miranda busca compensar sua frustração financeira e conjugal adquirindo o título de Barão, acentuando o contraste social entre o cortiço e o sobrado. No ambiente coletivo da estalagem, destacam-se personagens como Pombinha, a moça educada cuja menarca é aguardada por todos para que possa se casar, e que, mais tarde, após ser abusada por Léonie e enfrentar um casamento infeliz, acaba se entregando à prostituição de luxo.
A chegada de Jerônimo, um trabalhador português sério e metódico, e sua esposa Piedade, traz um novo fôlego à pedreira de João Romão. Contudo, Jerônimo é atraído pela sensualidade de Rita Baiana, o que desencadeia nele um processo de "brasileirização": ele abandona seus costumes europeus, o gosto pelo trabalho e sua austeridade para se entregar aos prazeres da nova terra. Essa paixão gera um conflito violento com Firmo, o amante de Rita, resultando em uma luta em que Jerônimo é ferido, seguida pelo incêndio criminoso do cortiço provocado pela personagem Paula, a "Bruxa".
Após recuperar-se, Jerônimo, movido pelo desejo de possuir Rita integralmente, organiza uma emboscada e assassina Firmo, abandonando definitivamente Piedade e sua filha. Enquanto Jerônimo e Rita vivem sua paixão, Piedade mergulha na depressão e no alcoolismo, acabando expulsa da estalagem e refugiando-se no miserável cortiço concorrente, o "Cabeça-de-Gato". João Romão, por sua vez, aproveita o lucro de um seguro e o dinheiro roubado do velho Libório durante o incêndio para reformar o cortiço e "civilizar" sua própria imagem, visando alcançar o mesmo status social de Miranda.
No desfecho, João Romão, aconselhado pelo parasita Botelho, decide pedir a mão de Zulmira, filha de Miranda, para consolidar sua ascensão social e financeira. Bertoleza, agora vista como um "trambolho" vergonhoso e um obstáculo ao casamento nobre, é traída por Romão. Ele denuncia a antiga companheira aos seus antigos donos como uma escrava fugida, revelando que a alforria que ela acreditava possuir era falsa. Quando a polícia e o dono chegam para capturá-la, Bertoleza, percebendo a traição, comete suicídio rasgando o próprio ventre. A obra encerra-se com a ironia suprema de João Romão recebendo um diploma de sócio benemérito de uma comissão de abolicionistas no momento em que acabara de destruir a vida de uma negra para manter seu status social.
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