- 2 de jun.
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Volume 1
Parte 2 - Transformação do dinheiro em capital
Capítulo 4 - A fórmula geral do capital
Marx inicia afirmando que a circulação de mercadorias é o ponto de partida do capital. A produção de mercadorias, sua circulação e o comércio formam a base histórica sobre a qual o capital se desenvolve. Historicamente, ele aparece primeiro como dinheiro, sobretudo nas formas do capital comercial e do capital usurário. Ainda hoje, todo novo capital entra no mercado inicialmente como uma soma de dinheiro que deve passar por determinado processo para tornar-se capital.
A distinção entre dinheiro simples e dinheiro como capital está, antes de tudo, na forma de circulação. Na circulação simples de mercadorias, a fórmula é M—D—M: vende-se uma mercadoria por dinheiro para comprar outra mercadoria. O objetivo é obter um valor de uso, isto é, algo útil ao consumo ou à satisfação de uma necessidade. Já na circulação própria do capital, a fórmula é D—M—D: compra-se uma mercadoria com dinheiro para vendê-la novamente por dinheiro. O movimento começa e termina no dinheiro.
No circuito M—D—M, o dinheiro é apenas intermediário. Alguém vende trigo, por exemplo, para comprar roupas. O que importa é a troca de um produto útil por outro produto útil. O dinheiro recebido na venda é gasto na compra e desaparece para seu antigo possuidor. Se ele retorna, isso ocorre apenas porque uma nova operação foi iniciada, como a venda de outra quantidade de trigo. O circuito termina quando a mercadoria desejada é adquirida e entra no consumo.
No circuito D—M—D, ao contrário, o dinheiro não é gasto definitivamente, mas adiantado. O possuidor de dinheiro compra uma mercadoria não para consumi-la, mas para revendê-la e recuperar o dinheiro lançado na circulação. O refluxo do dinheiro é parte essencial do processo: se o dinheiro não retorna, o movimento fracassa. Mas esse retorno só faz sentido se a quantia final for maior que a inicial. Trocar £100 por £100 seria inútil; o movimento próprio do capital exige que £100 retornem como £110.
Por isso, a fórmula verdadeira do capital é D—M—D’, em que D’ representa o dinheiro inicial acrescido de um excedente. Esse acréscimo é chamado de mais-valor. O valor originalmente adiantado conserva-se na circulação e, ao mesmo tempo, aumenta. É esse movimento de valorização que transforma dinheiro em capital. O capital não é simplesmente uma coisa, mas um valor que se movimenta para ampliar a si mesmo.
O texto destaca que, na circulação simples, eventuais diferenças entre os valores trocados são acidentais. Um agricultor pode vender acima do valor ou comprar abaixo, assim como pode ser enganado. Mas essas variações não definem a forma M—D—M, cujo sentido permanece a satisfação de necessidades. Já em D—M—D’, a diferença quantitativa entre o dinheiro inicial e o dinheiro final é o próprio objetivo do processo. Como os extremos são ambos dinheiro, não há diferença qualitativa entre eles; a única distinção relevante é que o segundo deve ser maior que o primeiro.
Essa lógica torna o movimento do capital ilimitado. A circulação simples termina no consumo, pois a necessidade satisfeita estabelece um limite. A circulação do capital, porém, termina em dinheiro aumentado, que pode imediatamente iniciar novo ciclo. £110, uma vez obtidas, estão na mesma posição das £100 iniciais: podem ser novamente adiantadas para produzir mais dinheiro. Assim, cada circuito concluído torna-se ponto de partida de outro, e a valorização do valor aparece como um processo sem fim.
O possuidor de dinheiro, quando assume conscientemente esse movimento como seu objetivo, torna-se capitalista. Seu propósito não é obter valores de uso, nem apenas lucrar numa operação isolada, mas repetir indefinidamente o processo de expansão do valor. Nesse sentido, ele se parece com o avarento, pois ambos desejam a riqueza abstrata representada pelo dinheiro. Mas há uma diferença decisiva: o avarento tenta conservar o dinheiro fora da circulação, enquanto o capitalista o lança continuamente nela para fazê-lo retornar aumentado.
O autor então mostra que, no capital, dinheiro e mercadoria são apenas formas alternadas de existência do valor. O valor passa da forma dinheiro para a forma mercadoria e depois retorna à forma dinheiro, sem perder sua identidade. Mais do que isso, ele retorna aumentado. Por isso, o valor parece adquirir movimento próprio, como se fosse uma substância ativa capaz de gerar mais valor. O dinheiro é a forma em que essa identidade aparece com mais clareza, pois é nele que o ciclo começa, termina e recomeça.
A mercadoria, nesse processo, não é o objetivo final, mas um momento necessário. O dinheiro precisa transformar-se em mercadoria para tornar-se capital, porque só passando por essa forma intermediária pode retornar como mais dinheiro. O capitalista, portanto, não opõe dinheiro e mercadoria como o entesourador faz. Para ele, toda mercadoria é uma forma possível do dinheiro e, mais ainda, um meio de produzir dinheiro aumentado.
O capítulo conclui apresentando D—M—D’ como a fórmula geral do capital. Ela aparece de modo evidente no capital comercial, em que se compra para vender mais caro. Também vale para o capital industrial, embora nesse caso ocorram processos produtivos entre a compra e a venda. E aparece de forma ainda mais abreviada no capital portador de juros, em que o movimento parece reduzir-se diretamente a D—D’, dinheiro que gera mais dinheiro. Assim, a fórmula geral do capital é a do valor que entra em circulação, conserva-se, aumenta e retorna para reiniciar o mesmo movimento.
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