Atualizado: 23 de ago.
O Capital Karl Marx
Texto Original Completo (tradução livre, em domínio público)
Volume 1
Parte 2 - Transformação do dinheiro em capital
Capítulo 5 - Contradições na fórmula geral do capital
A forma que a circulação assume quando o dinheiro se torna capital opõe-se a todas as leis que investigamos até aqui relativas à natureza das mercadorias, do valor e do dinheiro, e até da própria circulação. O que distingue essa forma da circulação simples de mercadorias é a ordem invertida de sucessão dos dois processos antitéticos, venda e compra. Como essa distinção puramente formal entre esses processos poderia mudar seu caráter como que por magia?
Mas não é só isso. Essa inversão não existe para duas das três pessoas que transacionam juntas. Como capitalista, compro mercadorias de A e as vendo novamente a B; mas, como simples proprietário de mercadorias, vendo-as a B e depois compro novas mercadorias de A. A e B não veem nenhuma diferença entre os dois conjuntos de transações. São meramente compradores ou vendedores. E eu, em cada ocasião, apareço diante deles apenas como simples proprietário de dinheiro ou de mercadorias, como comprador ou vendedor; além disso, em ambos os conjuntos de transações, oponho-me a A apenas como comprador e a B apenas como vendedor; a um, apenas como dinheiro; ao outro, apenas como mercadorias; e a nenhum deles como capital ou capitalista, ou como representante de algo que seja mais do que dinheiro ou mercadorias, ou que possa produzir qualquer efeito além daquele produzido por dinheiro e mercadorias. Para mim, a compra de A e a venda a B fazem parte de uma série. Mas a conexão entre os dois atos existe somente para mim. A não se preocupa com minha transação com B, nem B com meus negócios com A. E, se eu me oferecesse para explicar a eles a natureza meritória de minha ação ao inverter a ordem de sucessão, provavelmente me apontariam que eu estava enganado quanto a essa ordem, e que a transação inteira, em vez de começar com uma compra e terminar com uma venda, começou, ao contrário, com uma venda e foi concluída com uma compra. Na verdade, meu primeiro ato, a compra, foi, do ponto de vista de A, uma venda; e meu segundo ato, a venda, foi, do ponto de vista de B, uma compra. Não satisfeitos com isso, A e B declarariam que toda a série foi supérflua e não passou de hocus-pocus; que, no futuro, A compraria diretamente de B, e B venderia diretamente a A. Assim, toda a transação seria reduzida a um único ato, formando uma fase isolada, não complementada, da circulação ordinária de mercadorias: uma simples venda do ponto de vista de A e, do ponto de vista de B, uma simples compra. Portanto, a inversão da ordem de sucessão não nos tira da esfera da circulação simples de mercadorias; devemos antes investigar se há nessa circulação simples algo que permita uma expansão do valor que entra em circulação e, consequentemente, uma criação de mais-valor.
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