top of page
21 de out.
76 min de leitura


O Capital Karl Marx

Texto Original Completo (domínio público, tradução livre)


Volume 1


Parte 4 - Produção de mais-valia relativa


Capítulo 15 - Maquinaria e indústria moderna (1)


Seção 1: O desenvolvimento da maquinaria

John Stuart Mill diz em seus "Princípios de Economia Política":

"É questionável se todas as invenções mecânicas feitas até agora aliviaram a labuta diária de qualquer ser humano."

Esse, no entanto, não é de modo algum o objetivo da aplicação capitalista da maquinaria. Como qualquer outro desenvolvimento da força produtiva do trabalho, a maquinaria visa a baratear as mercadorias e, ao encurtar a parte da jornada de trabalho em que o operário trabalha para si mesmo, alongar a outra parte, que ele doa sem equivalente ao capitalista. Em suma, ela é um meio para a produção de mais-valia.

Na manufatura, a revolução no modo de produção toma como ponto de partida a força de trabalho; na grande indústria, parte do instrumento de trabalho. Cumpre, pois, investigar inicialmente como os instrumentos de trabalho são transformados de ferramentas em máquinas, ou qual é a diferença entre uma máquina e o instrumento artesanal. Trata-se aqui apenas de características gerais e marcantes, pois as épocas na história da sociedade não se acham separadas umas das outras por rígidas linhas de demarcação, do mesmo modo que as épocas geológicas.

Matemáticos e mecânicos, seguidos nisso por certos economistas ingleses, definem a ferramenta como uma máquina simples e a máquina como uma ferramenta complexa. Não enxergam nenhuma diferença essencial entre elas e chegam a chamar de máquinas as forças mecânicas simples, tais como a alavanca, o plano inclinado, o parafuso, a cunha etc. De fato, toda máquina consiste numa combinação dessas potências elementares, por mais disfarçadas que estejam. Do ponto de vista econômico, contudo, essa explicação nada vale, porque lhe falta o elemento histórico. Por outro lado, busca-se a diferença entre ferramenta e máquina no fato de que, na ferramenta, o homem é a força motriz, enquanto a força motriz da máquina é algo diverso do homem, como um animal, a água, o vento etc. Segundo esse critério, um arado puxado por bois, instrumento comum às mais diversas épocas de produção, seria uma máquina, ao passo que o tear circular de Claussen, que, impulsionado pela mão de um único operário, tece 96.000 malhas por minuto, seria uma mera ferramenta. Mais ainda: esse mesmo tear seria ferramenta se movido a mão, e máquina se movido a vapor. Visto que a aplicação da força animal é uma das mais antigas invenções do homem, a produção mecânica teria, por conseguinte, precedido a produção artesanal. Quando John Wyatt, em 1735, anunciou a sua máquina de fiar e, com ela, a revolução industrial do século XVIII, ele não mencionou uma palavra sobre um asno impulsionando a máquina no lugar do homem, e, no entanto, coube a um asno desempenhar esse papel. Ele a descreveu como uma máquina "para fiar sem dedos".

Toda maquinaria inteiramente desenvolvida compõe-se de três partes essencialmente distintas: o mecanismo motor, o mecanismo de transmissão e, finalmente, a máquina-ferramenta ou máquina operatriz. O mecanismo motor atua como força propulsora de todo o conjunto. Ele gera a sua própria força motriz, como a máquina a vapor, a máquina calórica, a máquina eletromagnética etc., ou recebe o impulso de uma força natural preexistente, como a roda-d’água da queda d’água, o moinho de vento do vento etc. O mecanismo de transmissão, composto de volantes, eixos, rodas dentadas, polias, correias, cordas, engrenagens e articulações das mais variadas espécies, regula o movimento, altera a sua forma onde necessário, passando, por exemplo, de linear para circular, e o divide e distribui entre as máquinas-ferramentas. Essas duas primeiras partes do mecanismo existem exclusivamente para comunicar movimento à máquina operatriz, por meio do qual o objeto do trabalho é apreendido e transformado conforme o pretendido. É dessa parte da maquinaria, a máquina-ferramenta ou operatriz, que partiu a revolução industrial do século XVIII. E ela serve ainda hoje de ponto de partida diário sempre que uma atividade artesanal ou manufatureira se transforma em indústria mecanizada.

Quer ler mais?

Inscreva-se em resumoporcapitulo.com.br para continuar lendo esse post exclusivo.

 
 
 

​Os comentários são de responsabilidade dos leitores.
O site se reserva o direito de moderação.

bottom of page