- 30 de out. de 2025
- 3 min de leitura

Segunda Parte
Pesadelo
O poema se abre com uma dedicatória ao pai e com a epígrafe de Jean Larocque, que já define o papel do poeta como “coveiro dos versos”: alguém que desenterra sombras, expõe crimes e marca, com sangue simbólico, as culpas históricas. Isso prepara o leitor para uma sondagem do passado em tom severo, quase judicial. A voz lírica, no silêncio noturno, diz colher “pérolas” do fundo do “mar do mundo”: imagens de lampejos de luz em meio a trevas que anunciam a busca de sentido político na história. O canto I então encena um desfile de episódios exemplares: a Grécia de Milcíades e Aristides como modelo de coragem cívica; a Roma luxuosa punida pela honra de Lucrécia, vingada por Bruto; a Suíça de Guilherme Tell, em que caem “águas poderosas” que ousaram desafiar a liberdade; a Inglaterra de Cromwell, que derruba o “plácido tirano”; a Itália de Rienzi, mártir de um sonho republicano sufocado pelo poder papal; a Polônia de Kościuszko, esmagada pela Prússia e pela Rússia; e a jovem nação norte-americana, que desperta e conquista a independência. O efeito é de panorama comparativo: entre fulgores de resistência e recaídas na tirania, a história humana mostra que a liberdade custa sangue e tem inimigos persistentes. O “pesadelo” do título, aqui, é a recorrência das opressões que a consciência tenta, a cada época, sacudir.
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