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  • 10 de abr.
  • 9 min de leitura

Atualizado: há 16 horas


Memórias de Martha Júlia Lopes de Almeida

Texto Original Completo (em domínio público)


IV

O cortiço em que morávamos gozava da fama de ser um dos mais pacatos do bairro, devido à previdência do proprietário, um carroceiro português, que morava com a família no local, na primeira casa à esquerda do portão.

Ele gabava-se de só consentir ali gente séria, e o caso é que os moradores ficavam atolados naquela ignomínia anos e anos, afeitos à promiscuidade e retidos pela barateza dos aluguéis.

Eu passava os nossos dias fora de casa no colégio e voltava sem pressa para o meu quarto, melancólica. Estudava com esforço; arrancava as ideias do cérebro dolorido, pertinazmente, lutando com a preguiça que me invadia toda, com a inteligência que fraqueava e repelia as lições. Oh! Mas o vexame daquele portão de cortiço, daqueles vizinhos que na fama de moderados se esmurravam e guinchavam impropérios, dava-me alentos para a luta.

O senhorio mascarou um dia a sua propriedade com o nome de avenida, caiou as casas, despediu um casal de pretos quitandeiros que empestavam de frutas podres todo o cortiço, fez uns tanques para as lavadeiras sem elevar o preço das suas casinhas.

Isso decidiu-nos a ficar por mais tempo. Ele bem sabia que a gente não podia ir bater a outras portas mais asseadas, o dinheiro era quase nenhum, e a saúde fraca. Entretanto distinguia-nos sempre com as suas menos rudes cortesias.

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