- 19 de abr.
- 4 min de leitura

VI
O capítulo acompanha a nova fase da narradora depois da mudança para uma casa mais clara, limpa e digna, que realiza um desejo material antigo, mas não resolve seu vazio íntimo. A melhora do espaço doméstico contrasta com a persistência da pobreza, do trabalho incessante da mãe e de uma infelicidade mais funda, que a narradora percebe como destino. É nesse contexto que ela reconhece o nascimento de uma aspiração amorosa: não exatamente por um vínculo real, mas por uma necessidade de ser escolhida, vista e amada. A lembrança do rapaz elegante que cruzou seu caminho cresce dentro dela como idealização, e esse sentimento ganha força justamente porque nasce sobre uma autoestima muito ferida. Ela se descreve como feia, sem graça, sem habilidade feminina e social, alguém que acredita não despertar simpatia nem desejo em ninguém. Por isso, entende depois que não amou propriamente um homem, mas a ideia do amor como reparação simbólica de sua humilhação e prova imaginária de valor.
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