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  • 19 de abr.
  • 3 min de leitura


Memórias de Martha Júlia Lopes de Almeida

Texto Original Completo (em domínio público)


X

Quando à tarde voltei, encontrei minha mãe animada e risonha mesmo com um bom ar de ventura que eu não lhe vira nunca.

O solicitador Miranda, nosso vizinho, fora assistir ao concurso e antecipara-se em ir dar-lhe a notícia de eu me haver saído bem.

Recebi a nomeação de professora no dia do casamento de Luiz. Minha mãe abraçou-me jubilosa, e atônita de me ver triste.

Eu pensava na brancura de Leonor, nos seus cabelos loiros e sedosos, engrinaldados, sob o véu fino; no seu belo corpo alto e esbelto, coberto de seda branca e flores de laranjeira... Eu pensava nas soberbas montanhas de Palmeiras, nas suas casas disseminadas entre alegres verduras, nos seus bosques perfumados, nas suas cascatinhas soluçantes.... eu pensava na tarde da tempestade; na filha do paralítico e no abraço de Luiz; nos seus madrigais, nos seus sorrisos e na sua falsidade; pensava ao mesmo tempo em tudo que me impressionara no campo, em tudo que me dera alegria, e em tudo que me dera desgosto!

Fechei-me só no quarto, procurando como pretexto arrumar os meus velhos livros e trabalhos de agulha no fundo de um baú. Quando voltei à sala, minha mãe, alvoroçada e risonha, chamou-me para o seu lado e disse-me que o solicitador Miranda lhe pedira a minha mão!

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