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  • 17 de abr.
  • 7 min de leitura

Atualizado: 25 de abr.


Memórias de Martha Júlia Lopes de Almeida

Texto Original Completo (em domínio público)


VIII

Voava o tempo alegremente.

Luiz frequentava a casa com assiduidade e levava-me de todas as vezes flores colhidas nas suas excursões, de que tinha sempre a contar um caso pitoresco.

Desapareceu-me a tosse e a febre; tornei-me mais gorda e corada, risonha e feliz!

Logo de manhã cedo saía, encontrava quase sempre o Luiz, que caminhava a meu lado, falando e fazendo-me falar, rindo-se descuidosamente e afirmando que eu tinha espírito por dez homens... Eu acreditava naquilo e sentia em verdade o que não experimentara nunca: muita facilidade em expressar-me e uma alegria saudável, nova, que me invadia toda. À tarde tornávamos a sair; íamos à gare, ou ao alto da montanha ver a grande pluma branca do fumo da locomotiva aparecendo além nos túneis... D. Annita assestava o binóculo e ficava-se em contemplação. Luiz lia-me então uns versos feitos nesse dia; coisas banais mas lisonjeiras, que eu achava muito bonitas...

Dava-me depois o original, com um modo significativo; eu lia e relia aquilo, cada vez mais encantada. Hoje, quando qualquer desses papéis me cai nas mãos, sorrio da minha ingenuidade de então!

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