- 19 de mai.
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Carta I
A carta apresenta Robert Walton escrevendo à irmã, Margaret, para tranquilizá-la sobre o início de sua expedição. Ele informa que chegou a São Petersburgo em segurança e demonstra crescente confiança no sucesso de seu plano. Desde o começo, Walton aparece como alguém movido por grande entusiasmo: o frio do norte, que para outros poderia sugerir perigo e desolação, desperta nele prazer, imaginação e expectativa diante das regiões polares que pretende alcançar.
Walton idealiza o polo como um lugar de luz, beleza e descobertas extraordinárias. Mesmo sabendo que talvez esteja enganado, ele acredita que sua viagem pode trazer benefícios imensos à humanidade, seja encontrando uma passagem marítima mais curta para regiões distantes, seja esclarecendo o mistério do magnetismo. O texto mostra, assim, sua mistura de ambição científica, desejo de glória e fascínio pelo desconhecido.
A carta também revela o passado de Walton. Desde jovem, ele se encantou por relatos de viagens exploratórias, apesar de ter sido impedido de seguir a vida marítima por uma promessa feita ao pai. Em certo momento, tentou tornar-se poeta, sonhando com reconhecimento semelhante ao de grandes nomes da literatura, mas fracassou e voltou seus pensamentos à antiga paixão pelas explorações. A herança recebida de um primo lhe deu os meios para retomar esse projeto.
Walton conta que passou seis anos se preparando para a expedição. Submeteu-se ao frio, à fome, à sede, à falta de sono e ao trabalho duro em viagens com baleeiros, além de estudar matemática, medicina e ciências físicas úteis à navegação. Seu relato mostra orgulho por sua disciplina e por ter sido reconhecido por capitães experientes, mas também deixa transparecer insegurança: apesar da coragem, suas esperanças oscilam, e ele deseja uma voz que confirme que merece realizar um grande propósito.
No fim, Walton descreve seus planos imediatos. Pretende partir para Arcangel, alugar um navio, contratar marinheiros acostumados à pesca de baleias e zarpar em junho. Ao falar do retorno, porém, admite a incerteza extrema da viagem: se tiver sucesso, poderá ficar longe por meses ou anos; se fracassar, talvez volte logo ou nunca mais. A carta termina com uma despedida afetuosa, pedindo proteção divina e reafirmando sua gratidão pelo amor da irmã.
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