- 22 de abr. de 2024
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Sesta
O poema "Sesta", dedicado a Martins de Almeida, evoca uma cena de tranquilidade e contentamento, capturando um momento de repouso e união de uma família mineira durante a sesta. Através de detalhes cotidianos e imagens simples, o poema pinta um retrato vívido da vida rural, enfatizando a conexão com a natureza e o prazer encontrado nas pequenas ações e interações familiares.
A cena começa com a família "quentando sol sentada no chão", uma imagem que transmite uma sensação de conforto e satisfação simples com a vida. O ato de olhar para o céu e para o cacho de bananas reflete uma apreciação pela beleza e pelos frutos da terra, enquanto a interação entre o filho mais moço e o pai, envolvendo o corte e a distribuição do cacho de bananas, simboliza o cuidado e o compartilhamento dentro da família.
O detalhe da filha mais velha coçando uma pereba e a descrição da sua coxa morena introduzem uma nota de realismo ao poema, lembrando o leitor da presença do corpo e de suas imperfeições. No entanto, a falta de atenção dos outros membros da família para com ela sugere uma aceitação tácita da naturalidade e da intimidade familiar, onde não há espaço para vergonha ou constrangimento.
A "linha ondulada do horizonte próximo" e a referência à cerca da horta reforçam a conexão da família com o seu ambiente, enquanto o canto do filho mais velho, "nem triste nem alegre", mas suficientemente "mole que adormece", serve como uma canção de ninar que induz ao repouso. A presença de um "mosquito rápido" traz um elemento de desconforto à cena, mas é prontamente afastado pelo filho mais moço, simbolizando pequenas perturbações na paz da sesta.
O poema conclui com a família "dormindo ao sol", uma imagem que encapsula a serenidade e a unidade do grupo, imerso na calma e na beleza do dia. "Sesta" celebra os momentos de pausa e contemplação na vida cotidiana, destacando o valor das tradições familiares e da simplicidade na construção de laços afetivos e na experiência de felicidade.
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