- 27 de mar. de 2024
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Moça e soldado
O poema "Moça e soldado" apresenta uma reflexão sobre a observação da vida urbana, focalizando nas figuras que transitam por uma rua: mulheres, soldados, e o narrador, que se posiciona como um espectador passivo dessas cenas cotidianas. Através de uma linguagem simples e direta, o poema contrasta os papéis tradicionalmente atribuídos a homens e mulheres na sociedade, enquanto explora temas de desejo, conflito e isolamento.
A repetição da observação — "Meus olhos espiam" — estabelece o narrador como alguém distante, que se limita a observar sem participar das interações sociais que descreve. A rua serve como um palco onde desfilam personagens típicos da vida cotidiana, cada um representando um papel social específico: as moças que passam, sugerindo a beleza e a juventude feminina associada ao namoro, e os soldados barbudos, símbolos de masculinidade e agressividade, destinados ao combate.
A menção às "pernas que passam" e a observação de que "Nem todas são grossas… mas todas são pernas" reflete uma espécie de apreciação estética e curiosidade sobre a diversidade humana, ao mesmo tempo em que revela uma fixação do narrador por detalhes físicos, num contexto em que o olhar se torna uma forma de interação superficial com o mundo.
O poema cria um ambiente sonoro com "Tambores, clarins e pernas que passam", onde a música dos instrumentos militares se mistura com o movimento das pessoas, reforçando a ideia de que a vida urbana é marcada por ritmos e padrões distintos, desde a marcha militar até o passeio casual.
A conclusão do poema — "Só eu não brigo. / Só eu não namoro." — destaca a solidão e o deslocamento do narrador em relação ao mundo que observa. Enquanto os soldados e as moças cumprem seus papéis sociais de confronto e atração, respectivamente, o narrador se encontra à margem, incapaz ou relutante em engajar-se nas dinâmicas de conflito ou romance que parecem definir as interações humanas naquele ambiente.
"Moça e soldado" é, portanto, um poema que contempla a complexidade da vida social através de um olhar observador, refletindo sobre os papéis de gênero, a natureza das relações humanas e a sensação de alienação experimentada por aqueles que se sentem desconectados das normas e expectativas sociais.
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