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11 de ago.
10 min de leitura

Atualizado: 17 de ago.


A Riqueza das Nações Adam Smith

Texto Original Completo (tradução livre, em domínio público)


Livro 1

Capítulo 4

DA ORIGEM E DO USO DO DINHEIRO.


Quando a divisão do trabalho se acha plenamente estabelecida, é apenas uma pequeníssima parte das necessidades de um homem que o produto de seu próprio trabalho pode suprir. Ele satisfaz a parte muito maior delas trocando aquela parte excedente do produto de seu próprio trabalho, que está acima de seu próprio consumo, por aquelas partes do produto do trabalho de outros homens de que necessita. Assim, todo homem vive por meio da troca, ou se torna, em alguma medida, um mercador, e a própria sociedade passa a ser, propriamente falando, uma sociedade comercial.

Mas, quando a divisão do trabalho começou a estabelecer-se, esse poder de trocar deve ter sido frequentemente muito embaraçado e entravado em suas operações. Suponhamos que um homem tenha mais de certa mercadoria do que ele mesmo precisa, ao passo que outro tenha menos. O primeiro, consequentemente, ficaria contente em desfazer-se de uma parte desse excedente; e o segundo, em comprar uma parte dele. Mas, se este último acaso não tiver nada de que o primeiro necessite, nenhuma troca pode ser feita entre eles. O açougueiro tem mais carne em sua loja do que ele mesmo pode consumir, e tanto o cervejeiro quanto o padeiro estariam dispostos a comprar parte dela. Mas não têm nada a oferecer em troca, exceto os diferentes produtos de seus respectivos ofícios, e o açougueiro já está provido de todo o pão e toda a cerveja de que tem necessidade imediata. Nesse caso, nenhuma troca pode ser feita entre eles. Ele não pode ser o mercador deles, nem eles seus clientes; e assim todos se tornam mutuamente menos úteis uns aos outros. Para evitar o inconveniente de tais situações, todo homem prudente, em todo período da sociedade, depois do primeiro estabelecimento da divisão do trabalho, deve naturalmente ter procurado administrar seus negócios de tal modo que tivesse sempre consigo, além do produto peculiar de sua própria atividade, certa quantidade de alguma mercadoria ou outra, tal que imaginasse que poucas pessoas estariam dispostas a recusar em troca do produto de sua atividade. É provável que muitas mercadorias diferentes tenham sido sucessivamente imaginadas e empregadas para esse fim. Nas épocas rudes da sociedade, diz-se que o gado foi o instrumento comum do comércio; e, embora deva ter sido um instrumento muito inconveniente, vemos, todavia, que nos tempos antigos as coisas eram frequentemente avaliadas de acordo com o número de cabeças de gado dadas em troca por elas. A armadura de Diomedes, diz Homero, custou apenas nove bois; mas a de Glauco custou cem bois. Diz-se que o sal é o instrumento comum do comércio e das trocas na Abissínia; uma espécie de conchas, em algumas partes da costa da Índia; bacalhau seco, em Terra Nova; tabaco, na Virgínia; açúcar, em algumas de nossas colônias das Índias Ocidentais; couros ou peles curtidas, em alguns outros países; e há ainda hoje uma aldeia na Escócia onde não é incomum, segundo me disseram, um trabalhador levar pregos em vez de dinheiro à padaria ou à taverna.

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