Atualizado: 17 de ago.

Livro 1
Capítulo 9
A variação nos lucros do capital atrela-se às mesmas causas do crescimento ou declínio da riqueza social que regulam os salários, ainda que produza efeitos opostos: o aumento do capital atrai forte concorrência entre os negociantes, elevando as remunerações do trabalho e reduzindo a taxa de lucro. Como a mensuração direta do lucro médio é extremamente complexa devido à constante flutuação dos preços e às intempéries do mercado, o autor propõe o juro do dinheiro como um indicador preciso, visto que a taxa cobrada pelo empréstimo reflete o quanto se pode obter com a aplicação do capital. Historicamente, a evolução da legislação britânica demonstra que a fixação da taxa legal de juro tendeu a acompanhar a queda das taxas praticadas pelo próprio mercado, evidenciando que, à medida que a receita e a opulência de uma nação progridem, os salários continuam a subir enquanto os lucros ordinários recuam.
Essa dinâmica é visível no contraste entre grandes cidades e áreas rurais, pois a abundância de capital urbano inflaciona os salários e comprime os lucros pela disputa entre empregadores, ao passo que o campo remoto apresenta a situação inversa. A análise geográfica reforça essa tese ao comparar diferentes nações: a Escócia, sendo mais pobre que a Inglaterra, apresenta salários inferiores e lucros do capital mais elevados; a França, com avanço mais lento, exibe lucros e juros de mercado mais altos do que os ingleses; já a Holanda, atingindo notável nível de riqueza, opera com salários elevados e as menores taxas de lucro e juro da Europa, o que força a aplicação de seu excedente no exterior sem demonstrar declínio econômico real.
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