- 1 de mai.
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Livro X
O último livro retoma a crítica à poesia imitativa, apresentada como uma das regras mais importantes para a boa organização do Estado. A tese central é que a imitação poética prejudica o entendimento dos ouvintes porque produz aparências sedutoras, mas afastadas da verdade. Mesmo reconhecendo a grandeza e o encanto de Homero, o argumento afirma que a verdade deve ser mais reverenciada do que qualquer poeta.
Para explicar isso, Sócrates distingue três níveis de realidade usando o exemplo da cama: há a forma ou ideia da cama, feita por Deus ou existente por natureza; há a cama particular fabricada pelo carpinteiro; e há a imagem da cama pintada pelo artista. O pintor, portanto, não cria a realidade nem mesmo o objeto útil, mas apenas sua aparência. A poesia trágica é colocada no mesmo nível da pintura: o poeta imita ações, virtudes, vícios, ofícios e conhecimentos sem necessariamente possuir verdadeira compreensão sobre eles. Assim como um pintor pode retratar um sapateiro sem saber fazer sapatos, o poeta pode falar de guerra, política, medicina ou educação de modo convincente sem dominar essas áreas.
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