- 1 de mai.
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Livro VI
O texto retoma a discussão sobre quem deve governar o Estado e afirma que apenas os verdadeiros filósofos são capazes de apreender aquilo que é eterno, imutável e verdadeiro. Por isso, eles seriam os guardiões mais adequados: não porque tenham apenas experiência prática ou virtudes comuns, mas porque possuem uma visão clara do que são, em si mesmas, a justiça, a beleza e a bondade. Quem não conhece essas realidades é comparado a alguém cego, incapaz de ordenar corretamente as leis e preservar a ordem do Estado. A natureza filosófica é então descrita como amante da verdade, inimiga da falsidade, voltada aos prazeres da alma mais do que aos do corpo, temperante, não cobiçosa, corajosa, justa, branda, dotada de boa memória, facilidade de aprendizado, equilíbrio interior e desejo de conhecer o ser das coisas.
Adimanto intervém dizendo que, embora o raciocínio pareça irrefutável, a experiência mostra outra coisa: muitos que se dedicam à filosofia tornam-se estranhos, perversos ou inúteis para a vida pública. Sócrates aceita que essa crítica tem aparência de verdade, mas a explica por meio da parábola do navio. O Estado é comparado a uma embarcação em que marinheiros ignorantes disputam o leme, bajulam ou dominam o capitão e chamam de inútil o verdadeiro piloto, que conhece as estrelas, as estações, os ventos e a arte da navegação. Assim também ocorre com o filósofo: ele parece inútil não por falta de valor, mas porque a cidade não sabe recorrer a quem realmente entende de governo. O problema não está na filosofia, mas no modo como a sociedade trata aqueles que poderiam guiá-la.
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