- 1 de mai.
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Livro V
É retomada a construção do Estado ideal, e Sócrates tenta seguir adiante, depois de afirmar que o Estado verdadeiro e o homem verdadeiro seguem o mesmo modelo, enquanto as formas desviadas seriam más tanto para a cidade quanto para a alma. Porém, seus interlocutores o interrompem e exigem que ele explique melhor uma questão que havia deixado em aberto: a comunidade de mulheres e filhos entre os guardiões. Eles afirmam que esse ponto é decisivo, pois a maneira como uma cidade organiza a família, a geração dos filhos e sua educação influencia profundamente sua ordem política e moral.
Sócrates demonstra hesitação, não por medo de ser ridicularizado, mas por considerar perigoso falar de leis tão importantes sem estar plenamente seguro da verdade. Mesmo assim, aceita avançar. Ele começa discutindo o papel das mulheres entre os guardiões. A comparação inicial é com cães de guarda: se machos e fêmeas cumprem funções semelhantes quando criados e treinados da mesma forma, também as mulheres destinadas à guarda da cidade devem receber a mesma educação dos homens, incluindo música, ginástica e treinamento militar. A possível aparência ridícula de mulheres se exercitando ou guerreando é tratada como simples preconceito social, semelhante ao antigo estranhamento diante da nudez masculina nos ginásios. O critério correto não deve ser o costume, mas a utilidade e o bem.
O argumento central é que homens e mulheres diferem biologicamente, mas essa diferença, por si só, não determina uma diferença de função política. Sócrates distingue diferenças relevantes de diferenças irrelevantes: ser calvo ou cabeludo, por exemplo, não muda a aptidão de alguém para ser sapateiro. Do mesmo modo, o fato de a mulher gerar filhos e o homem fecundar não prova que suas naturezas sejam diferentes quanto à capacidade de governar, guerrear, filosofar ou educar-se. Há mulheres com natureza filosófica, guerreira, musical ou ginástica, assim como há mulheres sem essas inclinações; o mesmo ocorre entre os homens. Portanto, as mulheres que possuem natureza de guardiãs devem exercer as mesmas funções dos homens guardiões, embora, em geral, recebam tarefas mais leves por serem fisicamente mais fracas.
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