- 1 de mai.
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Livro IX
O texto desenvolve a figura do homem tirânico como o ponto extremo de degradação da alma. Ele nasce a partir do homem democrático, quando os desejos antes moderados se tornam dominados por apetites sem lei. O argumento começa distinguindo desejos necessários e desnecessários, especialmente aqueles que aparecem quando a razão “adormece”: impulsos selvagens, violentos e vergonhosos, que existem em todos, mas que nos melhores homens são enfraquecidos pela educação, pela razão e pela temperança. O sono é usado como exemplo: quando a parte racional está inativa, a alma pode revelar fantasias e desejos monstruosos; mas, quando o homem adormece depois de alimentar a razão com bons pensamentos e apaziguar os apetites e a cólera, aproxima-se mais da verdade e fica menos sujeito a visões desordenadas.
A partir daí, o texto mostra como o homem democrático pode gerar o homem tirânico. O democrático, vindo de uma educação rígida e econômica, entrega-se depois a prazeres variados, mas ainda mantém certo equilíbrio. Seu filho, porém, é arrastado por companhias licenciosas para uma vida apresentada como “liberdade perfeita”. Nesse processo, uma paixão dominante é implantada em sua alma, comparada a um zangão monstruoso e alado. Essa paixão, identificada sobretudo ao amor desmedido, passa a comandar todos os demais desejos. Ela expulsa a vergonha, a prudência e as boas opiniões, purga a temperança e introduz a loucura. Assim surge o homem tirânico: bêbado, lascivo, passional, governado por um desejo soberano que se comporta como tirano dentro dele.
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