- 1 de mai.
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Livro IV
Sócrates responde à objeção de Adimanto de que os guardiões da cidade parecem condenados a uma vida infeliz, sem riqueza, luxo, propriedade ou prazeres privados. Ele explica que a cidade não está sendo organizada para dar felicidade exagerada a uma classe específica, mas para tornar feliz o conjunto. Assim como numa estátua cada parte deve receber a cor adequada ao todo, e não necessariamente a mais vistosa isoladamente, cada classe da cidade deve cumprir sua função própria. Se os guardiões fossem transformados em homens ricos e entregues ao conforto, deixariam de ser guardiões; e, se cada classe buscasse apenas seus prazeres, a cidade perderia sua ordem.
A partir disso, o livro afirma que riqueza e pobreza são dois males que corrompem as artes e os ofícios. A riqueza gera luxo, preguiça e descuido; a pobreza impede que o trabalhador tenha instrumentos e condições para exercer bem sua atividade. Ambas, portanto, degradam o trabalho e produzem descontentamento. Sócrates também sustenta que uma cidade bem ordenada, mesmo sem grandes recursos materiais, pode enfrentar cidades ricas, pois seus guerreiros serão treinados e disciplinados, enquanto as outras cidades são internamente divididas entre ricos e pobres. Por isso, ele diz que as cidades comuns não são verdadeiramente uma só, mas muitas em conflito dentro de si.
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